A menos de quatro meses do plantio de mais uma safra de soja em Mato Grosso, representantes da indústria de fertilizantes projetam aumento nas vendas de adubos para o segundo semestre de 2010, em comparação com 2009 e 2008. Em Mato Grosso, o volume adquirido pelos produtores deve totalizar 5 milhões de toneladas para o plantio das principais culturas. O volume representa cerca de 20% do utilizado no país, estimado em 23 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) em Mato Grosso. Os gastos com fertilizantes por hectare na próxima safra devem variar entre R$ 381,51 e R$ 413,17, conforme a região de plantio.
A próxima safra de soja tem o plantio iniciado em meados de setembro e o algodão, em dezembro. De acordo com o Instituto Mato-Grossens de Economia Agropecuária (Imea/MT), o cultivo dos três principais produtos agrícolas – soja, milho e algodão – requerem em média entre 3,5 milhões e 4 milhões de toneladas de fertilizantes, sendo que somente para a soja são empregadas 2,4 milhões de toneladas. “São necessários aproximadamente 400 quilos de fertilizantes para plantar um hectare de soja em Mato Grosso”, observa a analista de grãos do Imea-MT, Maria Amélia Tirloni, completando que a previsão é de uma área plantada de 6 milhões de hectares. Entre todos os estados brasileiros, acrescenta Tirloni, Mato Grosso é o que requer maior tratamento do solo.
De acordo com o presidente da Andav em Mato Grosso, Roberto Motta, a projeção de aumento nas vendas de adubos está associada ao maior volume de financiamentos pelos bancos, mais investimentos em tecnologia e ao provável aumento da área plantada de algodão. “Este é um ano eleitoral e isso pode facilitar o crédito aos produtores, a taxas mais atrativas”.
VALORES ESTÁVEIS
Além disso, a qualidade do solo mato-grossense e a grande área plantada são fatores que contribuem com as vendas, ratifica Motta. Ele calcula que os preços permanecerão estáveis.
“A previsão é que não haja redução, tampouco aumento nos valores”.
Para o presidente da Andav, a comercialização de defensivos também deve ser ampliada. Em todo país, as vendas desses produtos movimentam R$ 7 bilhões, sendo que Mato Grosso responde pelo volume de R$ 1,2 bilhão. “Ainda é cedo para fazer projeções sobre maior investimento em tecnologia, porque não fizemos projeções para as próximas safras de algodão e milho”, corrigiu Tirloni. “Mas o algodão, por exemplo, necessita do dobro de investimentos em fertilizantes”