Com objetivo único de reunir pessoas que, a partir do seu trabalho, atuam de forma coletiva e organizada, o cooperativismo conquista espaço na economia globalizada. Composto por produtores rurais ou agropastoris e de pesca, o cooperativismo agrícola é um dos ramos com maior número de cooperativas e cooperados no Brasil e em Mato Grosso. As cooperativas caracterizam-se ainda pelos serviços prestados aos associados, como recebimento ou comercialização da produção conjunta, armazenamento e industrialização, além da assistência técnica, educacional social.
Dados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) mostram que as cooperativas agropecuárias geram em todo o país um total de 134.579 postos de trabalho e somam em exportações diretas US$ 4 bilhões. Os números do Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Mato Grosso (Sescoop/MT) apontam que Estado terminou 2009 com 57 cooperativas agropecuárias, 10.115 associados e 3.117 colaboradores (funcionários).
O presidente do Sescoop/MT, Onório Cezário Serafim, conta que há muito as cooperativas agrícolas ocupam papel fundamental na economia mato-grossense. Segundo ele, 53% do leite produzido em Mato Grosso e 90% do algodão são provenientes de cooperativas. Além da carne suína, cana-de-açúcar e outros produtos. Serafim explica que há cooperativas agrícolas em praticamente todas as regiões do Estado, mas as principais estão localizados no Sul e no Médio Norte.
Para a criação de uma cooperativa é preciso a reunião de, no mínimo, 20 pessoas. O primeiro passo é criar um Estatuto e depois fazer uma assembléia para a eleição da diretoria, incluindo um presidente. No ato da criação de uma cooperativa cada cooperado entra com uma cota.
Entre as cooperativas do ramo dos laticínios em Mato Grosso estão a Cooperativa Mista Agropecuária de Juscimeira Ltda (Comajul); Cooperativa Agropecuária do Noroeste de Mato Grosso (Coopnoroeste), em Araputanga; e Cooperativa Agropecuária Mista Terranova Ltda. (Coopernova), em Terra Nova do Norte. Já entre as que produzem algodão, as principais estão em Primavera do Leste, Cooperativa dos Produtores de Algodão do Sudeste do Mato Grosso (Uniconton), Cooperativa dos Artesãos de Primavera do Leste (Cooperprima), e Cooperativa Agropecuária dos Produtores Rurais da Região Sul de Mato Grosso (Cooaleste).
Em Nova Mutum, no Médio Norte do Estado, há duas grandes cooperativas que produzem suínos, Integração das Cooperativas do Médio Norte de Mato Grosso (Intercoop) e a Cooperativa Agropecuária Mista de Nova Mutum (Copermutum).
Exemplos bem sucedidos
Muitas cooperativas têm se destacado em Mato Grosso, entre elas a Cooaleste, em Primavera do Leste, que além de atuar na produção e comercialização de algodão, lança no próximo mês, uma das maiores unidades de armazenamento de grãos de cooperativa do Estado. Segundo seu diretor executivo, Paulo Bando, o projeto faz parte de uma parceria com Bayer CropScience e promete resultados positivos. "Teremos uma unidade armazenadora de grãos para soja e milho com capacidade total para 96 mil toneladas, unidade para classificação visual e laboratorial de algodão, estocagem a céu aberto para algodão, campo experimental e laboratório para análise e diagnóstico".
O empreendimento foi construído em uma área total de 80 hectares (16.323,83 m2), localizada na MT-130, Km-13. O investimento total do projeto foi dividido em 150 cotas distribuídas da seguinte forma: 10% da Cooaleste, ou seja, rateada entre seus cooperados, e os 90% restante vendidos para os cooperados que passam a ser cotistas do empreendimento. A Coaaleste foi criada em 2002, sendo que hoje seu quadro social é de 88 associados ativos que mantêm os objetivos comuns. Segundo presidente do Sescoop/MT, Onório Cezário Serafim, os cooperados da Cooaleste juntos plantam 47 mil hectares de soja, 40 mil de algodão e 80 mil de milho.
Já no segmento da pecuária destaca-se a Cooperativa Mista Agropecuária de Juscimeira Ltda (Comajul) que hoje comercializa seus produtos em praticamente todas as regiões do Estado. Segundo seu vice-presidente, Sebastião Reis, a Comajul recebe cerca de 4 milhões de litros de leite mensalmente e é considerada uma das maiores do segmento. Foi idealizada e criada pelo seu atual presidente, o padre Johanes Bertold Hennig (Padre João) e fundada em 1978, em Juscimeira.
Em 1980, através do convênio com Cooperativa dos Produtores de Leite de Cuiabá, a Comajul iniciou no setor leiteiro com a criação de um posto de resfriamento e após alguns anos adquiriu o laticínio São Bento, em Dom Aquino, e o Laticínio Vale do São Lourenço, em Jaciara onde, além do beneficiamento do leite pasteurizado tipo C, são produzidos queijo mussarela, prato e parmesão. Ainda produz ainda manteiga, bebida láctea, iogurte, requeijão e doce de leite. Posteriormente a Comajul construiu um posto de resfriamento de leite nos municípios de Nova Brasilândia e São José do Povo, e ainda adquiriu o Laticínio Rio Branco, no município de Rio Branco.